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07/04/2017
A maior onca ja registrada em Mamiraua (mas existem maiores por ai)

Uma onça-pintada de 72 quilos capturada em uma armadilha de laço surpreendeu pesquisadores do Instituto Mamirauá. Em dez anos de trabalho na Reserva de Desenvolvimento Sustentável, eles ainda não haviam encontrado um animal tão grande. Tudo bem que em outras regiões, onças pintadas podem chegar a quase o dobro deste tamanho. Mas é que as onças da várzea amazônica são bem menores que suas parentes do Pantanal e principalmente do cerrado venezuelano.

Galego, como o macho foi batizado, tem 11 quilos a mais do que a onça mais pesada que os pesquisadores havia registrado até então e 17 a mais do que a média dos machos capturados na RDS, segundo o que afirmou ao site da instituição o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho, do Instituto Mamirauá. O bicho agora carrega um colar de telemetria e é seguido via satélite pelos pesquisadores.

O biólogo Rogério Fonseca, professor da Universidade Federal do Amazonas, concorda que é um animal grande para os padrões da várzea amazônica. Ele estuda a interação entre onças e populações humanas e conta que, no Pantanal, as onças chegam a 100 quilos. Mas as maiores estão no cerrado venezuelano. A maior já registrada tinha 140 quilos, de acordo com ele.

"Na região amazônica existe um fluxo gênico maior do que na região do Pantanal. A nossa onça (da várzea amazônica) se especializou em caçadas de aves, répteis e raros mamíferos. Já a pantaneira é exímia caçadora de mamíferos, fica em pé para avistar presas. Além das habituais presas, os jacarés", explica Rogério Fonseca.

Vida na água

O monitoramento das onças em Mamirauá já revelou um comportamento diferente dos animais desta região. Pintadas que vivem na floresta de várzea da RDS vivem cerca de quatro meses em cima das árvores, durante o período de inundação. Nos galhos, nadando de árvore em árvore, se alimentam e criam os filhotes.

Outra descoberta realizada ao longo de uma década de estudos é que na várzea existe uma alta densidade de onças pintadas, com mais de 10 animais para cada 100 km². A pesquisa é desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Fundação Gordon and Betty Moore.

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