As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos.

G1 - http://g1.globo.com/
04/04/2018
Area de reserva ambiental de RO desmatada por presos em operacao equivale a 540 campos de futebol

Área de reserva ambiental de RO desmatada por presos em operação equivale a 540 campos de futebol
Grupo é suspeito de fraudar sistema para enviar saldo virtual pelas madeiras ilegais. Operação Cyber-Cupim prendeu cinco pessoas na terça-feira (3), em Buritis (RO) e Campo Novo (RO).

Por Jeferson Carlos, G1 Ariquemes e Vale do Jamari
04/04/2018 19h53 Atualizado 04/04/2018 20h28

A Secretaria do Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) informou que os cinco presos durante a Operação Cyber-Cupim em Buritis (RO) e Campo Novo de Rondônia (RO) desmataram uma área de 500 hectares dentro da Unidade de Conservação do Parque Estadual de Guajará-Mirim (RO). A reserva ambiental possui uma área de 216.567 hectares e o total desmatado pelos presos equivale a 540 campos de futebol.

A ação da Polícia Civil foi deflagrada na terça-feira (3), para o cumprimento de 13 mandados judiciais, sendo cinco mandados de prisão temporária, sete mandados de busca e apreensão e um mandado de afastamento da função pública.

Entre os presos estão três empresários do setor madeireiro, um consultor de empresas e o vereador de Campo Novo, Sildevan da Silva Teixeira (Solidariedade), de 39 anos. O chefe da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) de Buritis foi afastado do cargo.

De acordo com um dos delegados responsáveis pela operação, Júlio César de Souza Ferreira, a organização criminosa burlava o sistema de Documento de Origem Florestal (DOF), que é um sistema do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mas que é utilizado pelo Idaron e desta forma, cambiavam um crédito falso pela entrega das madeiras extraídas ilegalmente.

"Para que uma madeireira consiga vender regularmente a madeira, ela precisa de um crédito no sistema e a madeira no pátio. Ocorre que muita vezes a empresa tem uma madeira ilegal no pátio e ela tem que corresponder o crédito no sistema. Então eles utilizam uma falha sistêmica que encaminham crédito de uma empresa pra outra e uma rede de empresas fantasmas, que conseguem burlar a fiscalização e repassar a madeira extraída ilegalmente dentro da reserva", explica.

Conforme o delegado Roberto dos Santos, as investigações iniciaram há seis meses e durante este período, outras três operações foram deflagradas, como a Terra Prometida, que culminou na prisão de oito pessoas em setembro de 2017.

"Com a Cyber-Cupim nós finalizamos a situação da fraude pelo DOF, que é feito com o desvio do documento da madeira pelo saldo virtual. Nós tínhamos 15 inquéritos e com a operação ficaremos apenas com quatro e vamos continuar com os trabalhos para concluir os restantes", destaca.

Os cinco presos foram encaminhados à Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp) de Buritis e posteriormente foram levados ao presídio Jonas Ferreti, onde permanecem à disposição da Justiça.

Os mandados de prisão temporária tem duração de 30 dias, e podem ser renovados ou serem convertidos em prisão preventiva, quando não possui prazo.

Vereador envolvido
Segundo a Polícia, Sildevan da Silva Teixeira é investigado por uniu com um dos madeireiros e adentrou na área da reserva ambiental para extrair madeira ilegalmente, além de entrar em combate com agentes de fiscalização do sedam em dezembro de 2017.

"O vereador está sendo indiciado porque entrou na área 'Terra Prometida', que fica dentro da Reserva Parque Estadual Guajará-Mirim com um dos empresários do distrito de Três Coqueiros, de Campo Novo. Segundo o que consta nos autos, ambos enfrentaram a fiscalização ambiental e, inclusive, chegaram a trocar tiros", disse Júlio César.

O G1 não encontrou o advogado do parlamentar. A Câmara de Vereadores do município informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a prisão e que as sessões legislativas devem prosseguir em rito normal. Mas caso o vereador venha a ter faltas sucessivas, a presidente da Câmara poderá entrar com pedido para dar posse ao suplente.

Chefe do Idaron afastado
Com relação ao chefe da Idaron de Buritis, que foi afastado do cargo, a Polícia Civil informou que ele era um dos responsáveis por efetuar a fraude, em que enviava o saldo virtual para as madeireiras, através do sistema DOF.

Contra ele, ainda existe uma demanda judicial em que é acusado por extrair madeira ilegalmente da reserva ambiental.

"Existe uma prova produzida judicialmente contra ele. Ele foi demandado na Justiça do trabalho, por uma pessoa que disse ter sido funcionário dele e ter trabalhado dentro da reserva extraindo madeira pra ele, mesmo sendo um servidor de um órgão público. Nós não pedimos pela prisão dele, mas sim o afastamento do cargo", comenta o delegado Júlio César.

Operação Cyber-Cupim
A Polícia Civil deflagrou a operação Cyber-Cupim para prender um grupo de suspeitos que estavam fomentando o desmatamento nas da Unidade de Conservação do Parque Estadual de Guajará-Mirim e fraudando o sistema da Sedam.

A operação contou com um efetivo de 30 agentes civis, PMA e técnicos da Sedam para o cumprimento de 13 mandados judiciais nos dois municípios. Todos os mandados judiciais foram cumpridos. Três armas de fogo e diversas munições de calibre 38 foram apreendidas na casa do vereador preso.

https://g1.globo.com/ro/ariquemes-e-vale-do-jamari/noticia/area-de-reser...