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12/05/2014
Empresaria do mato Grosso e vista como referencia no ecoturismo ambiental

Os conceitos mudaram e em 15 anos Vitória da Riva deixou de ser louca para se tornar visionária. A empresária foi a primeira a promover um evento que discutia formas de se aliar a defesa do meio ambiente aos ganhos financeiros em Mato Grosso. Na época, em 1997, a sustentabilidade ainda não fazia parte das pautas regionais.

A proprietária do hotel ecológico Cristalino Jungle Lodge, que já recebeu vários reconhecimentos internacionais, entre eles da National Geographic, falava sobre preservação em Alta Floresta (803 km ao norte de Cuiabá) quando o município passava pelo ciclo do ouro.

Era um momento muito conturbado e depois das atividades da 1o Oficina de Negócios Verdes, promovida por Vitória, ela passou a ser chamada de louca pela comunidade. "As pessoas não sabiam o que era sustentabilidade. Elas estavam alheias ao que acontecia no mundo".

Antes do evento, ela tinha passado por várias capacitações no exterior e fez uma parceria com a organização ambiental Conservation International (CI). Era algo novo até para quem estava acompanhando o processo de construção do conceito de sustentabilidade, argumenta a empresária.

As críticas começaram a ser frequentes e os moradores da cidade passaram a associar o nome de Vitória as ações de preservação do meio ambiente, inclusive as fiscalizações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e das polícias ambientais. Vale lembrar que as pessoas tratavam as questões ambientais como obstáculos para o progresso. "Eles achavam que eu tinha um poder que na verdade não tinha".

A relação com a comunidade passou a ficar complicada quando foi deflagrada a operação Arco de Fogo, em 2008. Na ocasião, milhares de agentes, da PF e do Ibama, fizeram uma operação para coibir os crimes ambientais e a região de Alta Floresta era uma das campeãs em desmatamento.

Vitória lembra que chegou a ser ameaçada e precisou sair da cidade com a família às pressas.

Para a empresária, ela deixou de ser vinculada a operação quando os desdobrados tiveram conhecimento mundial. "Eles viram que eu não tinha ter mobilizado tudo".

Paralelo a isso, aconteciam as conferências de meio ambiente no Brasil e o conceito da sustentabilidade aliada ao desenvolvimento financeiro começou a solidificar-se.

Além disso, o hotel e a Fundação Cristalino, criada para o fomento da educação ambiental e pesquisa, passaram a receber o reconhecimento internacional.

Com os resultados conquistados, Vitória passou a ser vista de outra forma pela comunidade. Tornou-se uma visionária. "Foi emocionante ver uma das pessoas que me criticavam dizer que eu estava 20 anos na frente dele quando promovi o primeiro evento".

No início da década de 90, a empresária via a febre do ouro na região e se assustou com tanta devastação. Naquele momento, ela comprou uma área de 12 mil hectares que ainda estava intacta.

Ainda sem saber o que fazer e como manter o local preservado, Vitória começou a estudar e conseguiu fazer da propriedade uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em 1997. Em 2001, o governo do Estado criou o Parque Estadual do Cristalino na área de entorno da RPPN, o que garantiu mais segurança para o empreendimento.

Ali, havia uma grande diversidade de animais e de plantas devido ao solo, a altitude e temperatura. Recursos que precisavam ser apresentados às pessoas. O levantamento florístico da região do Cristalino foi realizado entre 2008 e 2010 pela Fundação Cristalino, em parceria com a Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, e a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) catalogou 1.361espécies de plantas e descreveu oito tipos diferentes de vegetação, sendo seis nas reservas particulares do Cristalino.

Como as ideias de Vitória eram criticadas pela sociedade local na época da compra do terreno, ela resolveu buscar as soluções fora de Mato Grosso. A empresária montou uma Agência de Turismo em São Paulo e lá, começou a atrair os primeiros turistas para a reserva.

A princípio, eles ficavam instalados em barracas e depois em locações simples. No entanto, o ecoturismo começou a ser difundido e as instalações precisaram ser melhoradas. "As pessoas queriam explorar a área com todo o conforto possível". Foi assim, que o Cristalino Lodge foi construído e tornou-se referência mundial.

Para atuar no setor de pesquisas, monitoramento e educação ambiental, a empresária criou em 1999 a Fundação Cristalino. Pesquisadores de várias partes do país vão até a reserva para estudar os animais, as plantas e por meio de estudos, elaboram estratégias para a conservação da região.

Outra atuação importante acontece no âmbito educacional. Escolas de todo o país, principalmente de São Paulo, vão à reserva, onde fazem trilhas e com apoio dos educadores discutem temas como poluição, queimadas e demais ações predatórias a natureza.

A atual empreitada de Vitória é no Grupo Gestor do Turismo de Alta Floresta e Paranaíta. A atividade faz parte do Programa de Apoio à Revitalização e Incremento das Atividades de Turismo (P38), que é coordenado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Mato Grosso. O P38 é uma das ações mitigadoras do impacto ambiental e social causado pela construção da Usina Teles Pires.

Na opinião da empresária, os cursos estão capacitando empresários e formando uma massa crítica, que estará apta a discutir e participar da criação de um plano de turismo para a região, seja ele de pesca, ecoturismo ou turismo de negócios.

Além da participação das lideranças, Vitória defende que a participação da Companhia Hidrelétrica Teles Pires (CHTP) é muito importante. "A CHTP tem que agir como parceira, mesmo com o fim da construção. O ideal é que ela mantenha o apoio, investindo em infraestrutura e marketing, como acontece atualmente em Foz do Iguaçu".

Vitória da Riva é filha de Ariosto da Riva, fundador de Alta Floresta. Em 1974, ele comprou 480 mil hectares de terra na região amazônica. O valor era razoavelmente baixo porque o acesso ao local era muito difícil. A empresária conta que o pai dela tinha a ideia de fazer uma colonização agrícola, voltada para produtos da Amazônia (cacau, guaraná, café e extrativismo de castanha).

Os planos de Ariosto não foram concretizados porque uma crise econômica colocou em queda o preço dos produtos agrícolas e os moradores do local migraram para o setor de mineração.

Como o trabalho não feito por especialistas e sim pessoas que se aventuravam no ofício não durou muito. Outro fator determinante para o fim do ciclo do ouro na região foi a característica da terra, que fornecia ouro de aluvião. O período durou pouco mais de dois anos.

Depois desta fase, a cidade foi tomada pela pecuária de corte, que persiste até hoje, porém restringe os lucros as grandes propriedades e reduz a possibilidade dos pequenos sitiantes.

Atualmente, a sociedade de Alta Floresta tenta fomentar o setor de turismo para que com ele haja a perspectiva de ganhos aos moradores da região.

Em 2008, o Cristalino foi nomeado vencedor do Prêmio World Savers Awards (prêmio de preservação ambiental mundial) realizado pela Condé Nast Traveler, uma das mais importantes premiações de turismo do mundo. Em 2011, a Revista National Geographic Traveler selecionou o Cristalino como um dos 19 melhores hotéis do país. Entre os critérios de seleção estão a ligação com a cultura local, envolvimento com a comunidade e sustentabilidade ética. Em 2012,o Cristalino foi vencedor do Prêmio Global Vision Awards, realizado pela revista Travel. Em 2013, Cristalino foi selecionado como um dos 25 melhores ecolodges pela Revista National Geographic Traveler.

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