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G1 - http://g1.globo.com/
24/06/2018
Mais de 100 kgs de corais 'assassinos' sao retirados da Laje de Santos, SP

Mais de 100 kgs de corais 'assassinos' são retirados da Laje de Santos, SP
Espécie invasora coloca em risco o equilíbrio da biodiversidade do santuário. Pesquisadores e monitores retiram os corais com martelos.

Por Mariane Rossi, G1 Santos
24/06/2018 19h17

Mais de 100 kgs de corais-sol foram retirados, nos últimos dias, do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, no litoral de São Paulo. Pesquisadores correm contra o tempo para coibir a proliferação da espécie invasora, que coloca em risco o equilíbrio da biodiversidade do santuário, localizado a cerca de 42 km das praias de Santos.

O G1 acompanha o caso desses corais desde março deste ano. Nesta semana, pesquisadores e monitores do Instituto Laje Viva, ONG que visa a preservação e a conscientização ambiental e atua em prol da conservação do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, saíram para uma expedição com o objetivo de remover a maior quantidade possível de coral-sol.

Nativo do Oceano Pacífico, esse tipo de coral chegou ao país na década de 1980, provavelmente incrustado em plataformas utilizadas na exploração de petróleo. As estruturas eram fabricadas no exterior e rebocadas para serem utilizadas na costa brasileira. Desde então, apesar dos esforços, sua proliferação jamais foi plenamente contida.

Quem vê o lindo coral, não imagina o quanto ele é ameaçador para a biodiversidade marinha na na região. Como ele é nativo do oceano Pacífico, ou seja, se trata de uma espécie invasora do oceano Altântico, não faz integração com os outros animais, o que provoca uma quebra da cadeia alimentar. Segundo especialistas, ele é considerado um coral 'assassino', já que coloca várias outras espécies em grande perigo.

"É uma espécie invasora. Eles destroem as nossas espécies de corais, a comida dos peixes, que são as algas e, se proliferam muito rápido. É como uma praga. São lindos, mas não condizem com a nossa cadeia alimentar", explica Paula Romano, monitora ambiental do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos.

Somente em meados de 2012 a espécie foi encontrada na área da Laje de Santos. Além da laje, o parque é composto por formações rochosas submersas e por rochedos conhecidos como Calhaus. Em entrevista ao G1, em março deste ano, o gestor do parque, José Edmilson de Araujo Melo Junior disse que assim que foi identificado o problema, traçou um plano de manejo para que ele fosse contido.

Equipes saem de Santos e São Vicente, de barco, em direção ao Parque Estadual, para conter a disseminação dos corais. Nesta semana, o oceanógrafo Marcelo Kitahara, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP), um dos mais importantes estudiosos da espécie no Brasil, comandou e o orientou a equipe. Ele realiza a capacitação de mergulhadores e monitores ambientais para remover os corais.

O trabalho de retirada é totalmente manual. Pesquisadores, monitores e voluntários mergulham no mar e, com talhadeira e martelo, retiram o coral do costão. "Conseguimos tirar mais de 100 quilos e ainda ficou muito lá, uma parede cheia. Estamos primeiro limpando o Calhau, tem muitos corais lá. Vamos nos capacitar e fazer campanhas para levar alguns voluntários e tentar combater isso", finaliza Romano.

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