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Estado de Minas - http://www.em.com.br/
10/06/2018
Parque Nacional Cavernas do Peruacu avanca rumo ao reconhecimento

Parque Nacional Cavernas do Peruaçu avança rumo ao reconhecimento
Local pode ser reconhecido como patrimônio mundial da humanidade

Estado de Minas - Por Luiz Ribeiro
postado em 10/06/2018 06:00 / atualizado em 10/06/2018 07:45

A campanha para a busca do reconhecimento do conjunto de sítios arqueológicos do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, situado entre os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, no Norte de Minas, como patrimônio mundial da humanidade teve um importante passo na última semana. O parque recebeu uma visita técnica de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do governo brasileiro responsável pelo encaminhamento da candidatura à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), visando a obtenção da certificação.

A equipe, liderada pelo diretor de Articulação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito, visitou a região na quinta e sexta-feira, com o objetivo de conhecer toda a riqueza do parque, que se estende por 56,5 mil hectares, abrange 140 cavernas e mais de 80 sítios arqueológicos que conservam registros de milhares de anos da pré-história. Também estão sendo mantidos contatos com prefeitos dos municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões e com representantes de outros órgãos públicos e organizações não governamentais (ONGs), além de ambientalistas, envolvidos na campanha.

Entre as 140 cavernas do Peruaçu, a maior é a Gruta do Janelão, com 4,7 quilômetros de extensão e altura de 100 metros, onde se encontra uma estalactite de 28 metros de comprimento, considerada a maior do mundo. Tem mais de 80 sítios arqueológicos e pinturas rupestres com cerca de 12 mil anos. Um dos destaques do "santuário" é o paredão de arte rupestre da Lapa dos Desenhos, com mais de 3 mil figuras, da mais variadas cores e formas. Outros atrativos são a Trilha do Rezar, Lapa Bonita, Lapa do Rezar e a Dolina dos Macacos.

Em seu entorno, além de rica vegetação (mata seca) existe uma diversidade da fauna, com espécies raras, como o cachorro-vinagre, e ameaçadas de extinção, como tamanduá, veado, anta e a onça-pintada.

DIAGNÓSTICO A superintendente do Iphan em Minas Gerais, Maria Célia Corsino, que participou da viagem ao Peruaçu, disse que a visita foi o primeiro passo concreto para a elaboração do dossiê sobre todos os aspectos do conjunto de sítios arqueológicos. O documento será apresentado à Unesco, com vistas ao reconhecimento como patrimônio da humanidade. A partir de agora, haverá a montagem do comitê executivo, que será responsável pela elaboração do diagnóstico.

Célia Corsino lembra que, pelas regras da Unesco, cada país tem direito a apresentar somente uma candidatura a patrimônio mundial da humanidade a cada ano. O comitê do órgão internacional é constituído por representantes de 21 países. O Brasil já tem três outros processos que também visam à obtenção do título da Unesco e que estão adiantados: os do conjunto arquitetônico e paisagístico de Paraty (RJ), dos Jardins de Burle Marx (RJ) e o projeto de 19 fortalezas brasileiras, que deverão ser encaminhados ao órgão da ONU em 2018, 2019 e 2020, respectivamente.

Desta forma, o projeto do Vale do Peruaçu deverá entrar na "fila" para ser enviado à Unesco em 2021. "Com isso, teremos tempo suficiente para a elaboração do dossiê para o encaminhamento à Unesco. A gente pensa que 2021 está longe, mas não está. Temos que trabalhar para ter a nomeação dele (do Peruaçu) como patrimônio mundial", ressalta a representante do Iphan, acrescentando que as perspectivas para a obtenção do reconhecimento internacional são "muito promissoras por causa da riqueza do lugar".

Célia Corsino afirma que a visita ao Peruaçu nesta semana será determinante para que o governo brasileiro priorize a candidatura do parque de cavernas do Norte de Minas para apresentação à Unesco. Ela ressalta a importância da viagem, especialmente pela presença do diretor de Articulação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito, que "é a pessoa do órgão responsável pelo encaminhamento dessas questões junto à Unesco".

De acordo com Corsino, a expectativa é que Marcelo Brito possa ser sensibilizado "de que nada é mais importante do que Peruaçu para ser apresentado à Unesco em 2021". Ela salienta também a importância de conhecer o potencial do conjunto de sítios arqueológicos in loco. "Uma coisa é você ver no livro. Outra coisa é você chegar no lugar e ver belezas. Isso será definitivo para a gente acertar a prioridade da candidatura (do Vale do Peruaçu) ao recebimento do título."

A superintendente estadual do Iphan destaca que o conjunto de cavernas e sítios arqueológicos do Norte de Minas tem outro diferencial: é candidato a receber o título da Unesco em uma categoria mista, como patrimônio mundial natural e cultural. Até então, o Brasil não tem nenhum bem reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade nessa categoria.

Célia Corsino enfatiza ainda que o reconhecimento do Vale do Peruaçu como patrimônio da humanidade vai proporcionar o aumento da geração de renda em Minas Gerais, e, sobretudo, no Norte do estado, fomentando o turismo. "Um local com um título desse entra para o roteiro de turismo especializado mundial. Isso será excelente para a região", avalia Célia Corsino.
O Peruaçu pode ser o quinto patrimônio de Minas a receber o selo da Unesco, que já foi conferido às cidades históricas de Diamantina e Ouro Preto, ao Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, construído pelo mestre Aleijadinho, em Congonhas, e ao conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte.

VISITAÇÃO PÚBLICA

Criado por decreto federal em 21 de setembro de 1999, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os "tesouros" naturais do Peruaçu estão abertos à visitação pública. Para isso, recebeu uma série de obras de melhorias e trilhas, para facilitar o acesso por pessoas de todas as idades. A entrada nas áreas de grutas, sítios arqueológicos e pinturas rupestres é gratuita. Mas as visitas (individuais ou em grupos) devem ser agendadas junto ao ICMBio em Januária, pelo telefone (38) 3623-1038, ou pelo e-mail cavernas.peruacu@icmbio.gov.br.

A entrada na área é gratuita, mas deve ser monitorada por guias treinados, que cobram taxas com valores diferenciados para grupos e visitas individuais, de acordo com as trilhas a serem percorridas. A região conta com a estrutura de hospedagem em pousadas. Para facilitar o atendimento aos turistas, os donos de pousadas e guias recebem cursos de capacitação ministrados pelo Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae), em parceria com as prefeituras.

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