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26/06/2018
Pesquisa em rios amazonicos comprova que proximidade de centros urbanos afeta comunidades de peixes

Pesquisa em rios amazônicos comprova que proximidade de centros urbanos afeta comunidades de peixes
26/06/2018 11h22 Atualizado 26/06/2018 11h22

Por G1 Santarém, PA

Pesquisadores de cinco universidades brasileiras e uma norte-americana participaram do estudo, entre eles, o professor Gustavo Hallwass, do Campus da Ufopa de Oriximiná.

Pesquisa realizada recentemente nos rios Tapajós, Tocantins, Amazonas, Negro e Solimões, comprovou que características ecológicas das comunidades de peixes são afetadas pela proximidade e pelo tamanho populacional de cidades amazônicas. O estudo avaliou amostras coletadas de 48 lagos de cinco trechos dos rios.

No rio Tapajós foram pesquisados 11 lagos, localizados em comunidades da Floresta Nacional do Tapajós, Reserva Extrativista, Alter do Chão e Ponta de Pedras, além do lago do Juá, próximo ao aeroporto de Santarém. No rio Amazonas, foram quatro lagos: Água Preta, Costa do Aritapera, Ilha Grande e Mamauru. Na região do Baixo Amazonas, a pesquisa envolveu os municípios de Santarém, Belterra, Óbidos e Monte Alegre.

O resultado da pesquisa foi divulgado em artigo científico publicado em revista internacional Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, que publica estudos internacionais relacionados à conservação de ecossistemas aquáticos marinhos e de água doce.

As universidades brasileiras que participaram do estudo são, em sua grande maioria, públicas, sendo duas do estado do Pará, Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Universidade Federal do Pará (UFPA); duas do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); e uma de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A universidade estrangeira participante foi a Texas A&M University, instituição pública sediada na cidade de College Station, no estado do Texas, nos Estados Unidos.

Pela Ufopa, participou da pesquisa o professor Gustavo Hallwass, do campus de Oriximiná, que coordena o Laboratório de Ecologia Humana, Peixes, Pesca e Conservação (LEHPPEC). Ele foi um dos idealizadores do trabalho, junto com Friedrich W. Keppeler, professor da universidade norte-americana, e com o coordenador da pesquisa, o professor Renato A. M. Silvano, da UFRGS.

A pesquisa reuniu dados de projetos de pesquisa realizados entre os anos 2000 e 2013 e teve o objetivo de verificar os efeitos da pressão pesqueira, oriunda da demanda de peixes dos grandes centros populacionais da região amazônica.

Gustavo Hallwass, que trabalha há mais de 10 anos com a pesca na região amazônica, afirmou que para quem conhece a região amazônica e trabalha com peixes e pesca, é clara a pressão sobre estoques pesqueiros, principalmente próximo a grandes centros urbanos. Assim, a pesquisa investigou e descobriu a influência da proximidade e do tamanho populacional das cidades amazônicas sobre diversas características ecológicas analisadas nas comunidades de peixes.

Resultados da pesquisa

Os autores da pesquisa demonstraram que, quanto mais distante das cidades, maiores e mais pesados são os peixes, indicando forte pressão pesqueira e diminuição dos estoques próximos aos centros urbanos. Outro resultado importante relacionou a distância entre o lago e o canal principal do rio à captura por unidade de esforço (CPUE), isto é, quanto mais longe do canal do rio, maior é a CPUE das capturas, indicando a acessibilidade como um fator que influencia na pressão pesqueira e na redução dos estoques.

Áreas protegidas
Os pesquisadores argumentam que os peixes fornecem diversos serviços ecossistêmicos, desde dispersão de sementes e ciclagem de nutrientes até provisão de alimento e renda para a população ribeirinha que depende desse recurso natural.

Alertam para a necessidade de medidas de manejo e conservação dos recursos pesqueiros, principalmente próximo a grandes centros urbanos, com o objetivo de garantir a segurança alimentar e econômica de populações humanas, bem como manter as populações de peixes e todo o ecossistema aquático e terrestre adjacente.

No artigo, os autores sugerem a possibilidade de estabelecimento de áreas protegidas próximo aos grandes centros, o apoio a programas de comanejo pesqueiro, onde as regras de gestão dos recursos são oriundas dos próprios pescadores, e uma combinação de medidas tradicionais de gestão pesqueira, visando garantir o respeito às regras e manter as necessidades financeiras dos pescadores.

Além disso, os autores argumentam que apenas com o apoio e entendimento dos pescadores e o respeito à atividade do pescador, aliados ao monitoramento e fiscalização, é possível garantir a manutenção e conservação dos estoques pesqueiros e os serviços ecossistêmicos associados.

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