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ICMBio - www.icmbio.gov.br
03/11/2008
Projeto atrai turistas franceses ao Parque Nacional do Cabo Orange

Os coordenadores do projeto Tartaruga Imbricata, iniciativa que pretende aliar ecoturismo e ações solidárias de visitantes franceses nas comunidades do Parque Nacional do Cabo Orange (PNCO), no Amapá, iniciam na próxima quarta-feira (5) mais uma expedição ao interior do parque. O objetivo, segundo a chefe substituta do PNCO, Kelly Bonach, é acertar detalhes da visita de um novo grupo em meados de dezembro. No mês passado, foi realizada a primeira expedição experimental com turistas franceses, que contou com roteiro diferenciado e idéias inéditas.

"Vamos voltar às comunidades para planejar a nova experimentação. A idéia é disponibilizar o planejamento via internet e despertar o interesse em pessoas que desejam conhecer a floresta e vivenciar a realidade de quem dela tira sua subsistência", diz Kelly.

A primeira expedição foi realizada de 14 a 17 de outubro. Com o apoio de duas embarcações, turistas e idealizadores do projeto navegaram pelas águas da costa norte do litoral amapaense e pelos rios que cortam o Parna do Cabo Orange, hospedaram-se em palafitas habitadas por ribeirinhos, caminharam pela floresta e entenderam como vivem as comunidades locais.

A iniciativa faz parte do Plano de Uso Público do PNCO e é fruto de uma parceria entre a unidade de conservação e o grupo de turismo francês Yatoutatou, que atua na Guiana Francesa, território vizinho ao Parque. A iniciativa propõe uma aliança entre o parque, a população dos vilarejos e dos municípios de Oiapoque e Calçoene e os visitantes interessados em conhecer a região amazônica.

Para Kelly Bonach, a presença do turista colabora para a proteção da biodiversidade, uma vez que ele pode denunciar as atividades ilegais e traz uma nova alternativa de renda para as comunidades do entorno.

Segundo ela, a primeira expedição das muitas que acontecerão ao longo de dois anos de experimentação foi importante para que a logística das próximas viagens seja bem mais planejada. "Na verdade, essa experiência trouxe descobertas não só para os turistas, mas para os ribeirinhos que os acolheram e para nós, que a idealizamos", lembra.

A tripulação da lancha e do barco envolvidos na expedição era composta pela analista, cinco funcionários da Yatoutatou, quatro turistas franceses e um representante da Colônia de Pesca do Oiapoque. "Dessa vez, saímos tarde de Oiapoque, ponto de partida para o Parna, e uma parte do roteiro de ida foi feito à noite. As águas estavam agitadas e todos ficaram cansados com o balanço das embarcações. Mas essa primeira incursão nos forneceu informações essenciais para o sucesso das próximas experiências. Agora, sabemos que a viagem deve ser feita durante o dia, de acordo com a maré", adianta.

A chefe substituta do PNCO lembra, no entanto, que o mais importante a ser observado é o perfil do turista que se propõe a passar quadro dias na floresta. "Nosso projeto promove o turismo comunitário, um mergulho dos visitantes na realidade do Parque e das comunidades que vivem dentro dele e no seu entorno. Por isso, o turista tem que gostar de natureza, de gente simples e alojamentos modestos. É uma condição para que a interação aconteça de fato", revela Kelly.

A analista se diz empolgada com o que presenciou por parte dos ribeirinhos, pois as comunidades visitadas se envolveram com a proposta. Em Vila Velha um grupo de cinco mulheres preparou um almoço com delícias regionais. Os turistas também puderam aprender como é produzido o chocolate bruto, a farinha e o licor de açaí.

"Na Vila de Taperebá, um pequeno agricultor ofereceu sua palafita para o grupo passar a noite dormindo em redes. Na manhã seguinte, o ribeirinho demonstrou como se pesca o peixe para a sobrevivência de sua família por meio de tarrafas. Os visitantes jogaram o instrumento e saborearam o resultado da pesca com farinha, charque e queijo produzidos artesanalmente pelo dono da casa", explica Kelly.

Acompanhado por um comunitário que demostrou vocação para ser guia, o grupo também participou de uma caminhada pela floresta. "Na mata explicamos sobre a flora e fauna locais. Os turistas puderam navegar, a bordo de uma embarcação pequena de madeira, por um lago repleto de jacarés, além de conhecer uma área de desova de tartarugas, onde aproveitamos para falar sobre o problema da caça ilegal", conta a analista do PNCO.