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22/05/2018
Projeto em unidade de protecao integral de Sao Luis e criticado por ambientalistas

Projeto em unidade de proteção integral de São Luís é criticado por ambientalistas
O projeto de uma área de lazer em uma unidade de proteção integral tem recebido críticas de ambientalistas, a área é importante para manter a reservas da água na capital.

G1 | Por Sidney Pereira
22/05/2018 09h48 Atualizado 22/05/2018 09h48

No início de 2018 choveu o dobro da quantidade de chuvas se comparado ao ano de 1998 no Maranhão. Entretanto as chuvas deste ano não foram suficientes para encher o Reservatório do Batatã em São Luís. No local cabem 4,6 milhões de metros cúbicos de água, mas há nove anos o reservatório não consegue alcançar um nível suficiente de água.

A agrônoma ambiental Rita Cunha, explica que o motivo do reservatório não ficar cheio mesmo com grande quantidade de chuvas é devido ao desmatamento que tem aumentado nos últimos anos. "Os reservatórios não ficarão cheios só com a água da chuva, se impermeabilizar toda a área de recarga e não permitir a alimentação, o Batatã não ficará cheio somente com a contribuição superficial", explicou.

De acordo com pesquisadores, uma gota de água demora até seis anos para atingir uma zona de estoque do solo e sem a vegetação, as gotas evaporam antes de alcançar o lençol freático. Estudos realizados na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) indicam que São Luís já perdeu cerca de 18 mil hectares de manguezais, o equivalente à metade de toda floresta costeira que protegia São Luís e o desmatamento segue avançando.

A bióloga Naiara Vale, afirma que o Reservatório do Batatã deveria abastecer 30 bairros da capital, mas permanece com a reserva cada vez mais ameaçada. "Se a gente promover uma obra de urbanização, vamos impedir que a água seja infiltrada e que os recursos hídricos subterrâneos possam ser abastecidos", disse.

Está sendo realizado um projeto que foi orçado no valor de 19 milhões de reais no Parque Estadual do Rangedor, na capital, do qual a vegetação nativa está sendo retirada para dar lugar a uma área de lazer. O parque estadual é considerado uma unidade de proteção integral de reposição de aquíferos e garantia de abastecimento das reservas de água no subsolo.

A criação da área de lazer dentro de uma unidade de conservação integral tem recebido críticas de analistas ambientais do governo. "É inadmissível uma obra dentro de uma proteção integral, visto que, essas áreas tem o seu plano de manejo que vai preservar ou evitar que certas coisas sejam feitas", explica Odívio Rezende Neto, analista ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA).

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) afirma que a construção do complexo ambiental no Sítio do Rangedor está em conformidade com a lei e que o plano de manejo informa que 40% da área do parque é degradada e segundo a SEMA, 7% da reserva será usada e o restante reflorestada.

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