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Diario de Cuiaba - www.diariodecuiaba.com.br
24/08/2010
Reservas perdem 76 mil ha em MT

Mais de 76 mil hectares de floresta deixaram de ser protegidos nos últimos anos em Mato Grosso. Por conta do desenvolvimento econômico a todo custo, áreas importantes de parques estaduais e reservas indígenas foram entregues à iniciativa privada. Pesquisa do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) detectou que das 48 unidades de conservação presentes na maior floresta tropical do planeta, a Amazônia, 37 passaram por propostas de redução de área. Destas, segundo o instituto, 23 iniciativas já estavam concluídas até julho deste ano.

Em Mato Grosso, o Imazon levantou projetos de redução de áreas nos parques do Xingu, Cristalino, Araguaia, na Terra Indígena Maraiwatsede e na Estância Ecológica do Rio Ronuro. Por decretos dos poderes Legislativo e Executivo de Mato Grosso todos esses locais perderam áreas antes intocáveis. Apenas o Parque do Cristalino ficou intacto, após uma guerra judicial travada nas últimas instâncias.

Em entrevista ao Diário, a pesquisadora do Programa de Direito Ambiental do Imazon, Elis Araújo, verificou que a posse ilegal dessas terras foi o que motivou a concessão de títulos. "Nós verificamos que em 81% dessas unidades houve posse de terras", aponta. Quem mais perdeu terra protegida hoje vive um dilema. O Parque Estadual do Xingu - localizado no município de Santa Cruz do Xingu (distante a 1.230 quilômetros de Cuiabá) - possuía área original de 134.463 hectares. A uma canetada, o parque perdeu 39.438 hectares em 2006 representando uma redução de quase 30%.

Na época, a perda de área se deu pela implantação de um empreendimento agropecuário. O município viu crescer a população que chegou a mais de cinco mil habitantes. O problema é que até hoje, após quatro anos, nada saiu do papel e o município ainda arca no bolso com a decisão. O secretário de Meio Ambiente de Santa Cruz do Xingu, Ovídio Vicente Ribeiro, confirma a situação. "O município perdeu recursos do ICMS Ecológico e muita coisa que vinha para o parque. A população caiu muito aqui", atesta. Com 83% de área protegida, o secretário sonha com a volta da área para o parque. Ele ainda levantou uma questão preocupante. "Nosso parque não tem nenhum estudo de biodiversidade. Não sabemos quais animais temos aqui", revela. A situação do parque está nas mãos da Justiça. Três pessoas brigam pela área que está em litígio.

A área Maraiwatsede ainda vive uma incógnita. Os indígenas lutam há 18 anos pela posse integral da terra que foi invadida por proprietários rurais. A área já perdeu 60% de vegetação. O procurador da República, Mário Lúcio Avelar, entrou na Justiça em defesa dos índios. "Entramos com uma petição semana passada para reintegrar essas terras griladas", confirma.

A Estância do Ronuro perdeu 29.795 hectares. Já o Araguaia, 6.830 hectares. Para a pesquisadora, a redução é um contrassenso. "Eles (governo) preferem reduzir a desapropriar essas áreas protegidas. Isso dá a entender que essas áreas podem ser invadidas", define. O secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexandre Maia, foi procurado para comentar o estudo, mas não foi encontrado.

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