Um parque para o tatu-bola

((o))eco - http://www.oeco.org.br/ - 04/02/2018
Um parque para o tatu-bola

((o))eco - Por Vandré Fonseca


Quase quatro anos depois de servir de mascote à Copa de 2014, finalmente o tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus) recebeu a devida recompensa, um parque estadual para proteger 844 mil quilômetros de Caatinga, no Piauí, bem na região onde ele ocorre. Uma região de riqueza natural bem preservada, de grande beleza e com baixa densidade de pessoas.

O decreto 17.429, que criou o Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, foi assinado no dia 18 de outubro, pelo governador Wellington Dias (PT). Ele vai proteger uma área importante da Caatinga, a região semiárida com maior biodiversidade do planeta e que abriga cerca de 1.400 espécies de animais, muitos endêmicos e que correm o risco de extinção.

"É uma área que tem muita abundância dessa espécie", afirma Flávia Miranda, coordenadora do Projeto Tamanduá, que realiza expedições para conhecer melhor e preservar a região do novo parque estadual. "Ela está criticamente ameaçada, quase acabando mesmo devido a degradação do ambiente e à caça, e serviu de espécie guarda-chuva, usada para proteger outras espécies e todo o habitat".

Flávia Miranda explica ainda que o tatu-bola-do-nordeste é endêmico do Brasil. Ele só ocorre em uma pequena parte do Cerrado e na Caatinga. Expedições do Projeto Tamanduá tentam verificar se a espécie também ocorre a norte do Poti ou se o rio representa uma barreira natural para a espécie.

Ela lembra que, no país, ocorrem 11 espécies de tatus, entre elas duas de tatu-bola, a do Nordeste e o Tolypeutes matacus, encontrado no Pantanal. É um animal pequeno, que ao ser atacado se enrola, daí seu nome. Esse comportamento o protege da maioria dos predadores, mas o deixa vulnerável a caçadores. O desmatamento na região também é uma preocupação, pois a vegetação natural é cortada para servir de lenha.

O Poti nasce na Serra dos Cariris (CE) e deságua no Parnaíba, após passar por Teresina, capital do Piauí. Na divisa entre os dois estados, atravessa uma falha geológica na Serra da Ibiapaba, onde forma os cânions. É um rio permanente que corre por uma região semiárida, portanto, um recurso natural importante para as espécies que vivem ali e também para populações humanas.

No parque há também pinturas rupestres, além de uma diversidade ainda pouco conhecida. Flávia Miranda cita a presença de arraias, que ocorrem do litoral até a Cachoeira da Lembrada. A criação do parque é vista como uma alternativa econômica na região, onde a pecuária e a agricultura encontram dificuldades para se desenvolver, devido às condições naturais.



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